“..Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil..”
“..Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil..”
Título: Cem Melhoras Crônicas (que, na verdade, são 129)
Autor: Mario Prata
Editora: Planeta
Nº de Páginas: 376
Mario Prata, escritor irreverente, faz crônicas inteligentes e bem humoradas. Recorda a época de jornalista, discute temas atuais, fala sobre filhos, mulheres e amigos, conta casos curiosos do cotidiano e da infância. Tudo isso sem perder a leveza e a simplicidade com que faz sua literatura, que é tão peculiar e interessante. Esse livro reúne as Cem Melhoras Crônicas do ponto de vista do autor.
“O artista não é um operário, que bate o ponto e tal. Eu não acredito que ninguém possa ser operário da arte, porque a arte é contra a transformação do homem numa máquina.” (Cazuza, 1988)
Há 20 anos, no dia 7 de Julho de 1990, Agenor de Miranda Araújo Neto nos deixava. Cazuza, como sempre foi conhecido, cantou e encantou homens e mulheres de todas as idades que viam nas suas letras um reflexo do país que em viviam e das suas emoções. Mesmo rebelde e boêmio, nosso “Exagerado” ou “Maior Abandonado” compôs tão bem, que de letrista passou a Poeta.
Texto: Fernanda Pasian
…o que é amor pra você?
- Em 1987 meu pai tinha um carro azul.
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir… acho que isso é amor.
Os dias passam e cada vez mais usamos uma desculpa nova para o nosso descaso com as pessoas. O que chamamos de distância, falta de tempo ou de dinheiro se torna um empecilho constante e inalterável no dia-a-dia. Assim, os laços se estreitam cada vez mais e a intimidade se perde em algum lugar junto com o amor. O trabalho, o dinheiro, as compras e a busca pelo “novo fácil”, faz com que deixemos nossos velhos amigos para trás. Nos desfazemos deles como se fossem roupas velhas ou objetos antigos sem condições de uso. E como roupas velhas, eles voltam à moda em alguns anos, e nos damos conta do valor que tinham e só precisavam de atenção, um pouco de água, sol e vento para que pudessem ser tão bons como antes, ou até melhores. Num mundo que consome desenfreadamente como o nosso, que tudo é descartado em segundos, esquecemos que os seres humanos não se enquadram nisso, e, agindo dessa maneira perdemos pessoas especiais.
(Fernanda Pasian - 16 de Março de 2009)
(Tem mais de um ano que escrevi isso. Hoje ele faz muito mais sentido pra mim do que naquela época. É uma pena, não?)